João Caetano
em
Aug 10, 2021
Reações em cadeia a partir da crise podem afetar diretamente a economia dos bairros (SP)

Artigo originalmente publicado no jornal Estado de São Paulo.

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Com grande parte dos grupos empresariais, como XP Inc, Coca-Cola, Google e Nubank, optando por permanecer em home office até o final de 2020, vemos um movimento de manada do setor corporativo nesta mesma direção.

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Ainda que outras empresas queiram ver seus times de volta ao escritório, será complicado convencer os profissionais diante da postura adotada pelas líderes de mercado.

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Seria uma aposta alta, com riscos em saúde e reputação de marca.

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Assim sendo, já é possível antever um esvaziamento das regiões corporativas, como Itaim Bibi, Vila Olímpia e Brooklin, sobretudo em suas áreas mais comerciais.

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Como consequência, as redes de comércio e serviços que estavam montadas para atender aos profissionais no entorno dos escritórios serão duramente afetadas.

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É inviável imaginar que essas redes de comércio e serviços possam se sustentar até o início de 2021, sendo mais provável que aconteça uma ampla desmobilização dos restaurantes, farmácias, cafés, bares, mercados e lojas voltadas para este público.

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Uma vez ocorrendo estes fechamentos, tais regiões ficarão ainda menos atrativas para o retorno dos profissionais, prolongando o estado de crise.

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Muito além das restrições vividas em outras regiões de São Paulo, que por si são muito sérias, vemos alguns pontos icônicos da cidade em elevado risco de degradação.

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Por outro lado, os profissionais que deixam de ir aos escritórios e passam a trabalhar de suas residências começam a favorecer as redes de comércio e serviços em seus bairros.

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Mas quem são os profissionais qualificados para trabalhar de casa e onde vivem?

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O perfil profissional que consegue realizar plenamente seu trabalho a partir de casa foi descrito, por Richard Florida, em 2002, no livro,  A Ascensão da Classe Criativa. Porto Alegre: L&PM, 2011.

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Esta nova classe social, ainda discreta no Brasil, desponta nesse momento de crise como aquela que mais preserva sua empregabilidade e poder de consumo.

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Composta por profissionais de diferentes áreas de atuação, a classe criativa é marcada por sua capacidade de lidar com questões complexas que dependem de um alto nível de conhecimento, como cientistas, arquitetos, designers, engenheiros, programadores, advogados, gestores e analistas financeiros.

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Esta nova classe está presente na cidade de São Paulo, sobretudo nos distritos vizinhos aos centros corporativos, como Morumbi, Moema, Campo Belo, Vila Mariana, Alto de Pinheiros, Perdizes, Vila Leopoldina. E deve sentir bem menos os impactos da pandemia do que trabalhadores ligados a serviços essenciais.

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Além do fator econômico, a crise do novo coronavírus está provocando diversas mudanças, incluindo aí transformações nas funções exercidas pelos espaços da cidade, com ganhadores e perdedores.

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