João Caetano
em
Oct 12, 2024
Visão geral da Teoria do Lugar Central

A Teoria do Lugar Central é uma teoria espacial na geografia urbana que busca explicar as razões por trás dos padrões de distribuição, tamanho e número de cidades

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Ela também tenta fornecer uma estrutura pela qual essas áreas podem ser estudadas, tanto por razões históricas quanto pelos padrões locacionais das áreas hoje em dia.

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Origem

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A teoria foi desenvolvida pelo geógrafo alemão Walter Christaller em 1933, após ele começar a reconhecer as relações econômicas entre as cidades e suas áreas de influência. 

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Ele testou principalmente a teoria no sul da Alemanha e chegou à conclusão de que as pessoas se reúnem em cidades para compartilhar bens e ideias e que as comunidades — ou lugares centrais — existem puramente por razões econômicas.

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Antes de testar sua teoria, no entanto, Christaller teve que primeiro definir o lugar central. 

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Mantendo seu foco econômico, ele decidiu que o lugar central existe principalmente para fornecer bens e serviços à população circundante. 

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A cidade é, essencialmente, um centro de distribuição.

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Pressupostos de Christaller

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Para focar nos aspectos econômicos de sua teoria, Christaller criou um conjunto de pressupostos. 

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A fim de simplificar a lógica, ele decidiu que o campo nas áreas que estava estudando seria plano, de modo que não existiriam barreiras para impedir o movimento das pessoas através dele. 

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Além disso, dois pressupostos foram feitos sobre o comportamento humano:

  1. Os seres humanos sempre vão comprar bens do lugar mais próximo que os ofereça
  2. Sempre que a demanda por um determinado bem é alta, ele será oferecido em proximidade à população
  3. Quando a demanda cai, a disponibilidade do bem também diminui

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Limiar é um conceito importante no estudo de Christaller

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Se refere ao número mínimo de pessoas necessário para que um negócio ou atividade de lugar central permaneça ativo e próspero. 

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Isso levou à ideia de bens de ordem baixa e alta. 

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Bens de ordem baixa são coisas que são reabastecidas com frequência, como alimentos e outros itens domésticos de rotina. 

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Como as pessoas compram esses itens regularmente, pequenos negócios em pequenas cidades podem sobreviver porque as pessoas os compram frequentemente em locais mais próximos, em vez de ir até o lugar central de maior importância.

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Por outro lado, bens de ordem alta são itens especializados, como automóveis, móveis, joias finas e eletrodomésticos que as pessoas compram com menos frequência. 

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Como exigem um grande limiar e as pessoas não os compram regularmente, muitos negócios que vendem esses itens não podem sobreviver em áreas onde a população é pequena. 

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Portanto, esses negócios frequentemente se localizam em grandes cidades que podem servir a uma grande população na região circundante.

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Tamanho e espaço

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Dentro do sistema de lugares centrais, existem cinco tamanhos de comunidades:

  1. Lugarejo
  2. Vila
  3. Cidade pequena
  4. Cidade
  5. Capital Regional

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Um Lugarejo é o menor lugar, uma comunidade rural que é pequena demais para ser considerada uma Vila. 

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Enquanto Capitais Regionais, que não são necessariamente capitais políticas, incluiriam Ribeirão Preto ou Montes Claros. Essas cidades oferecem o mais alto nível possível de bens e servem uma enorme área de influência.

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Geometria e ordenação

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Lugares centrais servem aos consumidores distribuídos uniformemente que estão mais próximos do lugar central. 

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À medida que os vértices se conectam, eles formam uma série de hexágonos. 

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Os hexágonos são ideais porque permitem que os triângulos formados pelos vértices dos lugares centrais se conectem e representam o pressuposto de que os consumidores visitarão o lugar mais próximo que ofereça os bens de que precisam.

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Além disso, a Teoria do Lugar Central possui três ordens:

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Ordem de mercado

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Neste sistema, as áreas de mercado em um determinado nível da hierarquia de lugares centrais são três vezes maiores do que a próxima mais baixa. 

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Os diferentes níveis seguem então uma progressão de três, o que significa que, à medida que você avança na ordem dos lugares, o número do próximo nível aumenta três vezes. Por exemplo, quando há duas cidades, haveria seis cidades pequenas, 18 vilas e 54 lugarejos.

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Ordem de transporte

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Onde as áreas na hierarquia dos lugares centrais são quatro vezes maiores do que a área na próxima ordem mais baixa. 

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Ordem administrativa

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Que é o último sistema onde a variação entre as ordens mais baixa e mais alta aumenta por um fator de sete. 

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Aqui, a área de mais alta ordem cobre completamente a de ordem mais baixa, como estados,  municípios e distritos.

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Arquivos secretos do Geomarketing

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Em 1940, Walter Christaller juntou-se ao Partido Nazista e colocou sua ciência a serviço do Terceiro Reich para "planejar" as partes ocupadas da Polônia. 

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Esse tipo de planejamento teve consequências dolorosas e sombrias, a Teoria do Lugar Central foi usada para localizar e planejar campos de concentração. 

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Assim, o Terceiro Reich enviava à morte pessoas consideradas indesejadas, colocando-as em "anti-lugares" intencionalmente distantes do centro.

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Após a guerra, Christaller uniu-se ao Partido Comunista e "reciclou" sua teoria para redesenhar territórios administrativos na República Federal da Alemanha, uma configuração que, em muitos aspectos, ainda está presente.

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Lösch

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Em 1954, o economista alemão August Lösch modificou a Teoria do Lugar Central de Christaller porque acreditava que ela era muito rígida. 

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Ele pensava que o modelo de Christaller levava a padrões onde a distribuição de bens e o acúmulo de lucros eram baseados inteiramente na localização. 

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Em vez disso, ele reverteu sua lógica com a intenção de maximizar o bem-estar do consumidor e criar um ambiente ideal, onde a necessidade de viajar para qualquer bem fosse minimizada e os lucros permanecessem relativamente iguais, independentemente do local onde os bens são vendidos.

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Essa é uma lógica mais próxima de modelos de saturação, ideal para mercados de vizinhança e franquias, que preferem se distribuir para estar mais perto de seus consumidores a tentar maximizar a lucratividade a partir de poucos pontos.

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A Teoria do Lugar e sua relação com a Mapfry

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A obra de Christaller, com elementos de Lösch, está no centro de nossa metodologia, sendo a principal referência para a visualização em grade hexagonal.

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Com isso, fica mais fácil:

  1. Identificar locais ideais para a instalação de novos pontos de venda, considerando o limiar de população necessário para sustentar negócios de ordem baixa ou alta.
  2. Compreender quais áreas são servidas, por quais centros urbanos e como isso afeta a estratégia de expansão.
  3. Planejamento de logística e distribuição otimizando rotas e locais de distribuição com base na hierarquia dos lugares centrais.

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Por exemplo, uma rede varejista pode usar a Mapfry para identificar cidades que atuam como capitais regionais e avaliar a viabilidade de abrir lojas de alto padrão que vendam bens de ordem alta. 

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As informações de Segmentação de Mercado são profundamente influenciadas pela Teoria do Lugar Central.

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Além do já exposto, com as mudanças nas dinâmicas urbanas, a Mapfry oferece dados que consideram fatores modernos como infraestrutura de transporte, concorrência online e mobilidade populacional, elementos que não estavam presentes na época de Christaller, mas que são cruciais para o planejamento estratégico hoje.